
Muitos Diretores perguntam-se como podem promover o sucesso das IPSS que gerem, inspirado em práticas reais, este artigo é um guia para estes líderes do setor social!
O setor social enfrenta diariamente desafios únicos que vão muito além da gestão administrativa, pedagógica ou técnica. Gerir uma IPSS exige das suas lideranças uma enorme dose de empatia, resiliência e, acima de tudo, um propósito claro.
Para responder a estas necessidades, a ChildDiary e o MySenior uniram-se num evento online especial que bateu recordes, com mais de 500 participantes.
O encontro reuniu diretores técnicos, pedagógicos e equipas de norte a sul do país com um objetivo comum: encontrar ferramentas práticas para alinhar equipas, aumentar a motivação e transformar conflitos em oportunidades de crescimento.
Fique com o resumo completo das intervenções e assista às principais lições partilhadas pelas oradoras convidadas.
Transformar conflitos com ferramentas restaurativas nas instituições

Isabel Oliveira (Mediadora de Conflitos e Formadora),trouxe uma abordagem inovadora ao painel: a transposição dos princípios da justiça restaurativa para o seio das instituições.
A Isabel propôs que olhássemos para as instituições como um músculo. As relações humanas são tecidos vivos e dinâmicos. Se não exercitarmos, cuidarmos e treinarmos, ele entra em inércia ou atrofia.
O conflito relacional nas organizações não é uma anomalia, é o reflexo de pessoas que trazem as suas próprias bagagens para o trabalho. Se a cicatrização de um pequeno rasgo (conflito) for bem feita, a equipa sai mais fortalecida, se for negligenciada, instala-se ressentimento e um ambiente tóxico.
A oradora destacou cinco pilares para mudar o mindset das equipas:
1. Cada pessoa tem uma interpretação própria
Cada um merece ser escutado. Mas atenção: escutar implica que o que foi dito ganhe ressonância nas ações do líder.
2. Pensamentos e sentimentos das pessoas
O comportamento visível é apenas a ponta do icebergue, é preciso compreender as emoções que operam abaixo da superfície.
3. Efeito e impacto: o foco deve sair das “causas históricas”
Que geram acusação e culpa, e se centram nos efeitos do conflito, onde se gera a empatia e a responsabilidade coletiva.
4. Necessidades não atendidas:
Comportamentos desajustados ou linguagens violentas são, na maioria das vezes, expressões de necessidades de segurança, valorização ou certeza que foram ignoradas.
5. Ferramenta prática: círculos de diálogo
Isabel Oliveira sugeriu a implementação de Círculos de Diálogo confidenciais e igualitários, onde todos se olham de frente e têm espaço para falar (ou exercer o direito ao silêncio atento).
Estes círculos devem ser aplicados tanto a nível de liderança como transversalmente na hierarquia. O líder restaurativo, conclui a mediadora, funciona como o “condutor de um autocarro” que não decide a rota sozinho, ele pratica uma escuta equitativa e democrática, transformando o diálogo na arte de pensarmos juntos.
A liderança numa IPSS não é um cargo, é uma atitude

Sílvia Silva (Diretora Técnica com 21 anos de experiência), com uma vasta bagagem na liderança prática em IPSS, pegou no gancho da “humanização” para expor as dores reais de quem lidera no terreno.
Utilizou metáforas visuais fortes para questionar como os líderes se sentem hoje com figuras públicas de alta performance (como Cristiano Ronaldo). Recordando que os diretores técnicos muitas vezes sentem que não têm margem para errar, esse nível de exigência irrealista gera desgaste e burnout.
A oradora deixou-nos algumas dicas valiosas não só de gestão de equipas como para a gestão emocional do próprio líder:
1. O que trazem os colaboradores de casa
Se um funcionário responde menos bem ou não dá um bom dia, raramente é algo pessoal contra o líder. É preciso ter a sensibilidade de perceber o que os colaboradores trazem de casa (como dificuldades financeiras ou familiares).
2. Formação prática e team building
Aposte em jogos, dinâmicas de grupo e momentos de team building que façam a equipa interagir.
3. Reuniões com tempo marcado
Para sugestões e reclamações do dia a dia, 20 minutos bastam (“registar e andar”). Reuniões longas devem ser reservadas exclusivamente para o pensamento estratégico e colaborativo (ex.: dinâmicas com post-its para recolha de ideias criativas).
4. Validar a comunicação
Não basta delegar uma tarefa e ir embora. É crucial garantir uma comunicação assertiva, validando se a pessoa compreendeu exatamente o que é esperado dela, evitando que o trabalho seja feito incorretamente por pura falta de orientação.
5. O autocuidado do líder
A gestão mental do próprio gestor: é fundamental saber dizer “Não” de forma assertiva para não carregar fardos desnecessários.
É importante fazer pausas reais (sair do gabinete, lanchar fora da secretária) e sugeriu a aplicação da Matriz de Eisenhower para priorizar o que é verdadeiramente urgente e importante, ganhando tempo para pensar estrategicamente.
No futuro, o líder deve acumular papéis de jardineiro (que cuida e alimenta), maestro (que deixa cada um tocar o seu instrumento em harmonia) e treinador, partilhando sempre o palco com a sua equipa.
Duas visões da realidade prática das IPSS

No espaço de debate moderado por Inês Reis, a Vânia Costa (Educadora Social e Diretora de Serviços) e a Ana Teixeira (Gerontóloga e Diretora de Serviços) trouxeram o testemunho direto de quem gere instituições do setor social que trabalham, simultaneamente, com dois mundos distintos: a infância e a terceira idade.
Embora operem em contextos semelhantes, as dinâmicas de cada equipa revelam 3 desafios muito específicos:
1. Rotatividade e o choque geracional
As duas gestoras foram consensuais num ponto: a rotatividade de pessoal é um dos maiores entraves à coesão das equipas nas IPSS. Contudo, a Vânia partilhou que, na sua experiência, este fenómeno é muito mais acentuado no setor sénior, conseguindo manter na infância uma equipa mais estável, próxima e colaborativa.
A Ana Teixeira trouxe ainda para a mesa outro grande desafio estrutural: o choque de culturas e valores. Segundo a gerontóloga, existe uma linha de tensão evidente entre a postura dos colaboradores mais antigos (muitos em fase de pré-reforma) e as novas gerações que entram no mercado de trabalho com expectativas e visões diferentes sobre o emprego, o que exige um esforço redobrado de mediação.
2. Conflitos de tarefa vs. conflitos de relacionamento
No que toca à gestão de conflitos, a introdução de ferramentas digitais nas instituições provou ser um verdadeiro divisor de águas. Tanto a Vânia como a Ana destacaram que os chamados conflitos de tarefa (erros na cadeia de comunicação, falhas de registo ou desorganização burocrática) diminuíram drasticamente.
Ao centralizar a informação e delinear claramente o que deve ser feito, quando e por quem, as plataformas eliminam as margens para interpretações erradas. No entanto, os conflitos de relacionamento continuam a ser o verdadeiro desafio analógico, exigindo presença constante da direção, escuta ativa e muita empatia para mostrar às equipas que, apesar dos múltiplos pontos de vista, o objetivo final é comum.
3. Motivar não é igual para todos
A fechar o debate, reforçou-se que a motivação nas IPSS exige criatividade, especialmente num setor onde as margens salariais são historicamente rígidas. Quando as componentes financeiras não podem ser o único motor, o reconhecimento assume outras formas.
Medidas simples e personalizadas, como a concessão do dia de folga no aniversário, pequenas regalias de tempo, sessões de team building, a presença de apoio técnico (como psicólogos) para cuidar de quem cuida ou o simples gesto de celebrar o aniversário com um bolo no dia seguinte, têm um impacto gigante no absentismo e no sentimento de pertença.
Liderar com propósito nas IPSS: o diálogo como caminho
Liderar com propósito nas IPSS não significa tentar agradar a todos de forma utópica, até porque, como as oradoras lembraram, isso é impossível e gera frustrações. Significa, sim, criar espaços seguros de transparência, onde a responsabilidade é partilhada e o erro é encarado como uma oportunidade de reparação e aprendizagem coletiva.
Ao adotarem uma mentalidade restaurativa nas relações e ao dotarem as suas equipas de ferramentas digitais que eliminam o ruído das tarefas burocráticas, os líderes do setor social estarão muito mais preparados para manter o seu “músculo organizacional” forte, saudável e focado no impacto humano.
A ChildDiary é uma aliada na gestão de equipas de centenas de IPSS
Ao centralizar a comunicação com as famílias, a gestão pedagógica e os registos diários numa única App, a ChildDiary liberta a sua equipa da papelada. Menos ruído administrativo traduz-se em menos mal-entendidos, menos stress e mais tempo para o que realmente importa: cuidar, educar e dialogar.


