Quadro Europeu de Competências Digitais para Educadores - ChildDiary

Encontrei este artigo numa das minhas pesquisas sobre a importância da aprendizagem ao ar livre e não pude deixar de pedir permissão ao seu autor para o traduzir e publicar em Português.

Assim, este é um texto traduzido e adaptado à realidade da educação de infância. O original é do simpático Alex Moxon, fundador da Outdoortopia,  e pode ser encontrado clicando aqui.

Já não é segredo que aprender ao ar livre traz imensos benefícios para as crianças. Faz com que a aprendizagem se torne relevante, significativa e autêntica, envolvendo as crianças através da experiência prática. Alguns conhecimentos e conceitos aprendidos em contexto de sala fazem muito mais sentido quando contextualizados no mundo real.

As actividades curriculares podem (e devem!) ser trazidas para fora do contexto de sala como a conhecemos. Utilizando os sentidos e envolvendo as crianças através de uma ampla variedade de abordagens de aprendizagem, elas podem ver, tocar, cheirar, ouvir e saborear as coisas por si,  o que ajuda a consolidar aprendizagens e criar um burburinho de entusiasmo que promove o amor pela aprendizagem através da descoberta conduzida pelas próprias crianças.

Estamos só a cumprir currículo?

Então por que não estruturar a aprendizagem ao ar livre como parte integrante da rotina escolar durante todo o ano? Do que precisamos para realmente incorporar a aprendizagem ao ar livre no currículo base de cada criança? Quais poderiam ser os desafios?

É claro, a maioria das escolas de países desenvolvidos já incorporaram algumas formas de educação ao ar livre no programa escolar, muitas vezes através de viagens baseadas em aventura ao ar livre, etc. Porém, às vezes, pode parecer mais como um exercício para apenas cumprir currículo do que uma parte integrante do sistema de ensino. E isto precisa de mudar.

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Currículo típico de exterior

A rotina de um currículo típico de exterior é mais ou menos assim: as crianças chegam, fazem algumas actividades para se ambientarem, fazem caminhadas, caiaque, escalam e jogam alguns jogos em equipa. Refletem sobre as suas experiências e terminam a fazer uma fogueira na última noite. É então que retornam às quatro paredes da sala de aula, para repetir tudo de novo (ou algo similar) no ano seguinte.

É claro que dormir fora de casa e experimentar desafios e aventuras na natureza, juntamente com a independência longe dos pais e irmãos,  tem seu valor. Não é isso que está em causa. No entanto, essas experiências não são suficientes se forem apenas durante três dias por ano, e considerar como tarefa cumprida até ao ano seguinte. Precisamos de ir muito mais além!

As famosas “Forest Schools”

Do outro lado estão as “Forest Schools” (Escolas de Floresta) que adoptam a aprendizagem ao ar livre e quase todo o currículo é baseado inteiramente fora da sala de aula, geralmente dentro de um ambiente florestal. Já existem inúmeras Forest Schools, e estas vêm ganhando popularidade em muitos países, principalmente  na Europa. Para alguns pais, no entanto, as Forest Schools estão muito longe da realidade, enquanto outros elogiam as Forest Schools dos seus filhos com muito orgulho.

Mas certamente deve haver um meio termo entre as Forest Schools e uma única viagem anual de currículo de exterior, não é?

Levando de dentro para fora

As crianças nasceram para estar ao ar livre – como a maioria dos educadores vão concordar, sentar numa mesa na sala de aula por seis ou mais horas por dia é um verdadeiro desafio para as crianças. Isto vai contra o que sabemos da nossa história evolutiva – essencialmente, as crianças nasceram para ser “selvagens” e aprenderem livremente, e isso é algo que devemos manter em mente ao educar as nossas mentes brilhantes no futuro.

Então, o que poderíamos fazer nas nossas escolas para experimentar os benefícios da aprendizagem experiencial? É simples! Que tal começar por desfocar a divisão entre educação interna e externa e torná-la parte integrante de todos os dias de escola, com igual valor e importância?

Ciência e Matemática

Muitos conceitos aplicados em ciência e matemática podem facilmente ser explorados no contexto do mundo real. Por exemplo, se você está a abordar o tema da biodiversidade, que tal mostrar aos seus alunos esse complexo campo de estudo encontrando, identificando e registando a variedade de espécies de plantas e animais dentro da escola? Uma actividade como esta ajuda a envolver os alunos no conceito da biodiversidade, de uma forma que eles entenderão e lembrarão – o precursor perfeito para continuar a aprender na sala de aula.

Na matemática, muitos dos conceitos são abstratos. Mas se você estiver a abordar as alturas e os conceitos de medida, por exemplo, porque não levar os seus alunos para fora da sala para medir a altura de uns ramos com as palmas das mãos e comparar os maiores e os mais pequenos? Assim os seus alunos ganham uma experiência valiosa aplicando a medida e a comparação no mundo real, uma ótima forma para entender a importância de aprender determinados assuntos.

Quadro Europeu de Competências Digitais para Educadores - ChildDiary

Artes e Ciências Humanas

Naturalmente que as artes e as ciências humanas também podem ser praticadas ao ar livre. Por exemplo, a poesia e a escrita criativa tornam-se muito mais agradáveis e atraentes para os alunos quando são incentivados a desenvolver a sua imaginação, inspirando-se no mundo real e em ambientes externos. De facto, os poetas, escritores e artistas de renome inspiram-se na natureza há centenas de anos!

Além disso, explorar cores, formas e texturas na arte é muito mais envolvente quando as crianças descobrem exemplos no mundo real, encontrados na natureza usando os seus próprios sentidos. Esculturas naturais (utilizando materiais da natureza para fazer uma obra de arte) é uma ótima maneira de explorar uma série de conceitos de arte, envolvendo-se com o pensamento criativo, simbolismo e significado.

Um futuro alternativo para a educação

Afinal, o que nos impede de unir a educação interna e externa? Na minha opinião, existem alguns desafios a serem superados. Em primeiro lugar, a educação ao ar livre precisa de ser valorizada com base nas evidências que ela merece. A visão equivocada de que a educação externa carece de rigor académico é um disparate. A aprendizagem é mais estimulante, interessante, relevante e memorável para a vida das crianças. Além disso, mantém as crianças ativas e saudáveis, numa altura em que a obesidade infantil e os problemas de sanidade mental estão a ter aumentos alarmantes entre os jovens do mundo ocidental.

Em segundo lugar, muitos professores podem requerer treino e orientações adicionais em educação experiencial, e em como integrar a aprendizagem externa ao currículo. Acredito piamente que todos os professores seriam perfeitamente capazes de fazê-lo,  mas certamente que seria mais fácil se as instituições fornecessem as ferramentas necessárias e apoiassem a aprendizagem externa. Para além do mais, muitas vezes é possível contactar um especialista ou consultor em educação experiencial e ao ar livre para ajudar os educadores neste processo. Há também vários livros que fornecem uma excelente visão, como “Dirty Teaching” da autora Juliet Robertson.

Finalmente, devido ao clima e estações do ano, pode ser útil (mas não essencial) ter alguma infraestrutura para actividades ao ar livre, como uma sala de aula ao ar livre para apoiar a aprendizagem.

A maioria das escolas têm pelo menos algum espaço ao ar livre com vegetação. Porque não fazer uso total deste espaço? Vamos cultivar legumes (sem ser em filinha e realmente sujando as mãos e as roupas com terra!)! Vamos fazer esculturas na e com a natureza! E vamos explorar a vida selvagem dentro de portas!

As possibilidades são infinitas e o potencial impacto na aprendizagem dos alunos, no envolvimento de tarefas e no desempenho é realmente enorme!

Dentro do alcance da sua escola

E o melhor de tudo? Na maior parte dos casos, você não precisa ir longe para integrar a aprendizagem ao ar livre num dia normal da escola. Dentro do perímetro da sua escola ou a uma curta distância, há centenas de oportunidades para dar vida à aprendizagem curricular fora da sala de aula. Confie em mim!

E nós, como educadores, temos imenso interesse em identificar oportunidades de inovação e de fazer da aprendizagem ao ar livre uma parte valiosa da nossa rotina diária. Os seus alunos vão agradecer por isso e até os seus comportamentos e respeito por regras vão melhorar. Tudo isto acrescenta uma nova dimensão ao seu papel como formador da próxima geração de mentes brilhantes!

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