
Talvez abordar a celebração do 50º aniversário do 25 de Abril seja um tópico a explorar com algumas crianças, quer seja porque elas próprias trazem esta curiosidade para o contexto de sala ou porque o mesmo faz parte do Plano Anual de Atividades da Instituição.
Em ambas as situações, ou porque o educador/ professor toma a decisão pedagógica de abordar esta data tão importante na História Portuguesa, é de salientar que explorar conceitos como a democracia e a liberdade não se limitam nos recursos que sugerimos ou nas atividade e projetos que dedicadamente adultos e crianças concretizarão por estes dias.
A liberdade e a democracia, conquistados com a Revolução do 25 de abril de 1974, são conceitos que as crianças experienciam nas suas vivências diárias quer seja na negociação de conflitos entre pares, negociação de decisões com adultos, participação e cumprimento de regras de vida em grupo, e até em momentos chave que o adulto deve promover nas sua práticas pedagógicas quotidianas, como por exemplo:
- Votações em tomadas de decisão em grupo, por ex: nome de mascote da sala, que projeto será realizada agora e por quem?
- Participação ativa da criança diariamente na escolha de materiais e espaços a explorar
- Escutar apresentações/opiniões de outras crianças e adultos e ter tempo para emitir a sua própria opinião: em apresentações de trabalhos de grupo ou individuais ou aquando de conversas em grupo sobre temas de interesse desse mesmo grupo, etc
- Incluir as diversas culturas presentes no grupo de crianças no planeamento e ações pedagógicas, nomeadamente na definição do PAA da instituição e nos projetos pedagógicos/curriculares de cada sala
- Entre muitos outros momentos que ocorrem diariamente nas salas de creche, pré-escolar e de 1º ciclo onde crianças e adultos são co-construtores de um currículo assente na voz de todos os que nele participam e dele beneficiam!
Para quem procura recursos para explorar a Celebração dos 50 Anos da Revolução do 25 de Abril com crianças em idade pré-escolar e de 1º ciclo, sugerimos um conjunto de livros, poemas, canções e links de hiperligação a websites cujos conteúdos são relevantes para explorar ou aprofundar conhecimentos sobre este tema tema (vídeos, etc):
Livros:
“Democracia!”
Philip Bunting
Margarida Ferreira
Idade que recomendamos: a partir dos 4 anos
“Democracia” é um livro onde se tenta explicar este conceito como sendo sementes semeadas há muito tempo e que ao longo do tempo, enquanto cresciam, na democracia também se despontaram novas ideias que se foram adaptando às mudanças do mundo. Neste livro encontram-se explicações históricas, a cronologia e aprofundam-se práticas da democracia moderna como as regras, eleições terminando com excelentes sugestões de como a criança pode usar a sua Voz!

“Era Uma Vez o 25 de Abril”
José Fanha
Idade que recomendamos: A partir da idade pré-escolar
Este é um livro que começa por relatar a experiência pessoal do autor que, ao acordar na manhã de dia 24 de Abril, escutou a sua mãe dizer que na Rádio se estava a anunciar uma Revolução! A partir daqui o livro organiza-se por capítulos destinados a explicar, na 1ªa pessoa e numa linguagem simples e emocionante, os vários “temas” envolvidos nesta época da História. O livro conta ainda com imensas fotografias, cartazes da época e ilustrações que apoiam os mais pequenos a entender o porquê desta celebração.

“O Meu Primeiro 25 de Abril”
José Jorge Letria
Helder Teixeira Peleja
Idade que recomendamos: a partir do 1º ciclo de escolaridade
Este livro conta a história vivida pelo autor no 25 de Abril de 1974. Para além dos factos, é um livro que conta a história de forma bastante emocionante e com umas ilustrações bastante coloridas e explícitas relativamente ao que aconteceu neste período da História de Portugal.
“Romance do 25 de Abril”
João Pedro Mésseder
Ilustrações de Alex Gozblau
Idade que recomendamos: a partir dos 5 anos
Este romance é sobre um menino que se chama Portugal e é através desta personagem que se explica de forma clara e breve o que acontecia durante a ditadura do Estado Novo e o que significou a Revolução de 25 de Abril.
A ilustração acompanha a mensagem do autor sendo que enquanto é retratada a realidade da Ditadura as páginas são escuras, as personagens tristes, sombrias e com figuras austéras. A partir da Revolução as ilustrações adquirem cores vibrantes e as personagens sorriem sempre de cravos vermelhos na mão.
O livro termina enaltecendo aquele que é um dos símbolos mais relevantes da Revolução: um grande cravo vermelho na vertical,
“7 X 25 Histórias da Liberdade”
Margarida Fonseca Santos
Inês do Carmo
Idade que recomendamos: a partir dos 6 anos de idade
Dividido em 7 contos, este livro conta-nos breves histórias contadas na 1ª pessoa de personagens simbólicas alusivas aos acontecimentos do 25 de Abril de 1974 como por exemplo “Eu, a espingarda” ou “Eu, o megafone”.
“O Soldado João”
Luísa Ducla Soares
Ilustração de Morena Forza
Idade que recomendamos: pré-escolar e 1º ciclo
Esta história fala-nos de um soldado, o Soldado João, que independentemente das ordens dos generais, sargentos e capitães, tratava os seus colegas e os inimigos de igual modo ajudando-os, tratando de todos, dando malgas de café a todos…
Assim, não aborda diretamente o 25 de Abril mas sim a questão da guerra e algumas crianças poderão já compreender, quer porque o escutaram em vivências familiares de avós e tios, nas notícias ou em ambiente escolar, que o 25 de Abril significou o fim da Guerra Colonial.
Canção:
- Canção e Interpretação com Língua Gestual – “A História que um Dia Vais Contar” Pedro Dyonysyo – A História que um dia vais contar – 25 de Abril – Língua Gestual Portuguesa
Letra da canção:
“Esta é a história
De uma grande vitória
Sei que és novo mas vou tentar explicar
A vida era de pedra
Tão dura como a guerra
Que na rua não se podia falar
Eram tantas as palavras
Entoadas com guitarras
Que nas rádios não se podiam cantar
As prisões eram o castigo
De um país que andava ferido
Sem saber que já não dava para aguentar
Esta é a história
Que um dia tb vais contar
Esta é a história
Que um dia tb vais contar
Cansados da ditadura
Da uma vida de amargura
A tropa decidiu avançar
Mas os carros de combate
Que partiam para o ataque
Só tinham muito amor para disparar
E então fez-se outra guerra
Lá para o meio da Primavera
Só com flores para ninguém se magoar
Esta é a história
Que um dia tb vais contar
Esta é a história de um povo
Que lutou sem sangrar
E a dura ditadura
Que já estava tão madura
Caiu logo sem ninguém para a amparar
E o povo que andava triste
Então gritou de mão em riste
Somos livres ninguém nos pode parar
E a festa veio pra rua
Prolongou-se até que a lua
Pudesse com o povo celebrar
Esta é a história
Que um dia tb vais contar
Esta é a história de um povo
Que lutou sem sangrar
Esta é a história
Que um dia tb vais contar
Esta é a história de um povo
Que lutou a cantar
E se algum dia alguém te perguntar
Como era vida naquele tempo e lugar
Podes dizer que era como ter asas e não poder voar
Podes dizer que era como ter asas e não poder voar…”
Poemas:
“Esta é a madrugada que eu esperava.
O dia inicial inteiro e limpo.
Onde emergimos da noite e do silêncio.
E livres habitamos a substância do tempo.”
Sophia de Mello Breyner Andresen
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“Foram dias foram anos a esperar por um só dia.
Alegrias. Desenganos. Foi o tempo que doía
Com seus riscos e seus danos. Foi a noite e foi o dia
Na esperança de um só dia.
Foram batalhas perdidas. Foram derrotas vitórias.
Foi a vida (foram vidas). Foi a História (foram histórias)
Mil encontros despedidas. Foram vidas (foi a vida)
Por um só dia vivida.
Foi o tempo que passava como nunca se passasse.
E uma flauta que cantava como se a noite rasgasse
Toda a vida e uma palavra: liberdade que vivia
Na esperança de um só dia.
Musa minha vem dizer o que nunca então disse
Esse morrer de viver por um dia em que se visse
um só dia e então morrer. Musa minha que tecias
um só dia dos teus dias.
Vem dizer o puro exemplo dos que nunca se cansaram
musa minha onde contemplo os dias que se passaram
sem nunca passar o tempo. Nesse tempo em que daria
a vida por um só dia.
Já muitas águas correram já muitos rios secaram
batalhas que se perderam batalhas que se ganharam.
Só os dias morreram em que era tão curta a vida
Por um só dia vivida.
E as quatros estações rolaram com seus ritmos e seus ritos.
Ventos do Norte levaram festas jogos brincos ditos.
E as chamas não se apagaram. Que na ideia a lenha ardia
Toda a vida por um dia.
Fogos-fátuos cinza fria. Musa minha que cantavas
A canção que se vestia com bandeiras nas palavras:
Armas que o tempo tecia. Minha vida toda a vida
Por um só dia vivida.”
Manuel Alegre
Recursos online:
- Conto da História “História de Uma Flor” de Matilde Rosa Araújo e João Fazenda https://www.youtube.com/watch?v=Svf4jDEmSgc
- Conto da História “Avó onde é que estavas no 25 de Abril?” de Ana Markl e Christina Casnellie Bom dia Histórias: Avó onde é que estavas no 25 de abril?
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“Romance do 25 de Abril”
“O Soldado João”




